mentira
o poeta é um fingidor. finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente. aquele que quis ser poeta caminhou por muito tempo em linha reta, sem notar o quão sinuosos eram seus pensamentos. em um breve instante pensava se apenas o calor de sonhos apaixonados é que alimentava sua verve. imaginou quantas musas deveriam ser sacrificadas para o nascimento de uma poesia. quantas estrelas deveriam ser arrancadas do firmamento para tornar rara e preciosa a rima que não cintila mais - terá brilhado alguma vez, perguntou-se. pois foi então que o pensamento sinuoso fez a curva errada e a estrada que ora parecia reta, tornou-se cada vez mais escura. até que, imerso na escuridão, nenhum passo poderia ser reto.
algo perdeu-se no caminho. não há como saber o que, pois o pobre andarilho nunca soube ao certo o que trazia consigo. talvez ele tenha falado algo que enfim ofendera os deuses. ah, ele sabia bem o quão vã era a batalha contra as palavras. precisava ser íntegro, apaixonado, leviano, coerente e contraditório para que as palavras o escolhessem e então algumas linhas de poesia nasceriam. mas algo perdeu-se no caminho, talvez em alguma curva, já que o caminhante optara por seguir uma linha reta.
quanta mentira. tu és um enganador. impossível enumerar todas as vezes em que criastes quiméricas metáforas. pensamentos desconexos de aparente profundidade. ilusões para os leitores incautos, ávidos na busca pelo significado das coisas. que coisas? qualquer coisa. um punhado do que fosse. talvez da dor que nunca sentiram. ou das lágrimas que sempre desejaram verter.
ah, grande farsa poética. algo perdeu-se no caminho, mas agora algo foi encontrado. se nunca soube o que trazia comigo, como poderei então saber o que encontrei? pouco importa. tudo que sei é a linha reta esqueceu de continuar-se.
o poeta é um fingidor. finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente. aquele que quis ser poeta caminhou por muito tempo em linha reta, sem notar o quão sinuosos eram seus pensamentos. em um breve instante pensava se apenas o calor de sonhos apaixonados é que alimentava sua verve. imaginou quantas musas deveriam ser sacrificadas para o nascimento de uma poesia. quantas estrelas deveriam ser arrancadas do firmamento para tornar rara e preciosa a rima que não cintila mais - terá brilhado alguma vez, perguntou-se. pois foi então que o pensamento sinuoso fez a curva errada e a estrada que ora parecia reta, tornou-se cada vez mais escura. até que, imerso na escuridão, nenhum passo poderia ser reto.
algo perdeu-se no caminho. não há como saber o que, pois o pobre andarilho nunca soube ao certo o que trazia consigo. talvez ele tenha falado algo que enfim ofendera os deuses. ah, ele sabia bem o quão vã era a batalha contra as palavras. precisava ser íntegro, apaixonado, leviano, coerente e contraditório para que as palavras o escolhessem e então algumas linhas de poesia nasceriam. mas algo perdeu-se no caminho, talvez em alguma curva, já que o caminhante optara por seguir uma linha reta.
quanta mentira. tu és um enganador. impossível enumerar todas as vezes em que criastes quiméricas metáforas. pensamentos desconexos de aparente profundidade. ilusões para os leitores incautos, ávidos na busca pelo significado das coisas. que coisas? qualquer coisa. um punhado do que fosse. talvez da dor que nunca sentiram. ou das lágrimas que sempre desejaram verter.
ah, grande farsa poética. algo perdeu-se no caminho, mas agora algo foi encontrado. se nunca soube o que trazia comigo, como poderei então saber o que encontrei? pouco importa. tudo que sei é a linha reta esqueceu de continuar-se.
